José Carlos Vilar


escultura “Luna”

Apresentação

A impossibilidade Minimal na escultura “Luna” de Jose Carlos Villar.



Como olhar uma escultura de um artista visual que desenvolve seu percurso poético-formal, similarmente ao modo tempestuoso, e cegamente impetuoso (Sturm und drang), dos primeiros românticos? Como construir um arcabouço teórico, um argumento inteligível para dar conta de uma imagem realizada com muita disciplina, porém, “a sentimento”? É na tentativa de encontrar uma resposta a estes questionamentos iniciais, é que vamos deslizar o nosso olhar, sobre o projeto e a imagem conclusiva, da escultura “Luna” de José Carlos Villar, realizada exclusivamente para a Finca Tarumã, um projeto de inserção definitiva de arte contemporânea na paisagem do Caparaó (Ibitirama ES), evento que se tornou possível pelo edital 09/2022 da SECULT/ES.

Imagen vertical

A uma primeira aproximação com a escultura “Luna” de Vilar, nos remeteria imediatamente, por correspondência formal e direta, ao que conhecemos como Arte Minimalista. Suscitamos a princípio, aquela vertente artística que primava pelas formas simplificadas e essenciais. Configurações estas, levadas a uma condição de redutibilidade extrema, onde ao final deste processo, menos é mais, somente restando, a expressão material e a estrutura mínima da forma. Após este radical sistema de exclusão, tudo aquilo que não dizia respeito exclusivamente às questões gramaticais das linguagens artísticas, era suprimido. O que restava era a essência da imagem em sua expressão mínima, sem qualquer excesso literário. Considerando esta premissa que inevitavelmente relaciona a Minimal Art com alguns aspectos superficiais das imagens tridimensionais de José Carlos Villar, vamos a um segundo movimento de abordagem.

Imagen vertical

A princípio, apontamos esta possível relação analógica como uma leitura primeira, centrada somente nas similaridades formais que a imagem desta escultura permite construir comparando com a história da arte. No entanto suspeitamos que esta primeira tentativa de fricção hermenêutica, poderia sofrer alguns ajustes relevantes e mudanças de entendimentos, caso desviássemos o nosso olhar para questões que transbordam o âmbito do referido recorte histórico-conceitual que consideramos primeiramente. Tais câmbios de entendimentos somados a adição de outros elementos significantes, digam-se referentes, trariam, em tese, outras possibilidades interpretativas, agora não mais condizentes à internalidade dos campos gramaticais das linguagens artísticas, mas sim, considerando novos conteúdos exclusivos do sujeito e da sua relação com sua realidade circundante.

Fato este, que conspurcaria o evidente proposito de um distanciamento contundente daquilo que seria demasiadamente mundano dentro do arcabouço estético do Minimalismo, como preconizava a lógica implícita nos parâmetros conceituais da Minimal Art. Uma vez que os limites teóricos desta internalidade Minimalista são superados, o que restaria então, seria algo “já contaminado” pela realidade circundante do objeto-mundo do referido sujeito.


Esta nova condição, catapulta a obra de Villar para além dos limites da Arte Pós-moderna, inserindo-a imediatamente no âmbito das atitudes recorrentes no contexto artístico Contemporâneo. Neste sentido uma correspondência restritiva e absoluta com a Arte Minimalista torna-se “impossível”, ou melhor dizendo, incompleta, posto que as mesmas imagens quando submetidas a outro processo de leitura, nos levariam a um outro entendimento. Concepção esta, que se fundamentaria em outras relações, com outros objetos indiciais presentes na infância do artista, onde em suas composições formais, é patente o Design dominado por curvaturas, tais como: o Jequi de pesca e a Bateia do garimpo de ouro, elementos formais e simbólicos que povoam o imaginário do artista desde sua tenra idade, quando vivia e vivenciava a realidade exclusiva do entorno do rio Jucu. A admissão destes novos referentes formais, exclusivos do modo de recepção de Villar, nos convidariam a perceber os desdobramentos plástico-formais entre estes novos referentes originados do ambiente (Umwelt) que emoldura o seu encontro ontológico, quando o sujeito e o mundo interagiram deixando impressões profundas no imaginário do artista. As esculturas essenciais de Jose Carlos Villar seriam então, interpretações diretas das suas impressões imaginarias nascidas no contato com estes objetos-imagens que povoavam as margens do rio Jucú no Espírito Santo. Suas esculturas em aço cortem de hoje são significantes que persistem durando no tempo, conteúdos formais reincidentes que afetam e constroem sua inclinação poética, dando assim, um sentido próprio às suas configurações tridimensionais. O que vemos na escultura Luna, é uma impregnação de outra sensibilidade, vista aqui e agora, através de um pano de fundo que atravessa diagonalmente, as especificidades do próprio sujeito, abrindo assim, novos campos interpretativos.

Galeria de fotos







José Carlos Vilar

Vitoria ES

 

Exposições Individuais

 

2017 – Exposição Individual GAEU – UFES - Vitória/ES

2008 – Exposição Individual Galeria de Artes Contemporânea Matias Brotas Vitória/ES

2005 – Exposição Individual Casa Porto das Artes Plásticas – Vitória/ES

2004 – Exposição individual Espaço Cultural Egydio Antonio Coser – Vitória/ES

2002 – Exposição individual Empório Sorelli – Vitória – ES

2001 – Exposição individual Espaço de arte Brumatii – Vitória/ES

1998 – 1997- Exposição permanente no Atelier – Mata da Praia/Vitória/ES

1992 – Exposição Individual – Escultura em Metal – Galeria de Arte e Pesquisa/UFES

1988 – Exposição Individual – Esculturas – Galeria de Arte e Pesquisa UFES

1987- Exposição Individual – Forma e Função – Líneas Decorações

1980 – Exposição individual de Esculturas e Desenhos – SANUK Bar – Vitória/ES

1978 – Exposição individual de escultura no Centro de Artes Homero Mascena

 

Exposições Coletivas

 

2018 – Exposição Coletiva 20/20 Museu Vale - Vila Velha / ES

2008 – Exposição Coletiva Galeria de Artes Contemporânea Matias Brotas Vitória/ES

Exposição Coletiva Galeria Espaço Universitário/UFES

2007 – Exposição Coletiva Galeria de Artes Contemporânea Matias Brotas Vitória/ES

2003 – Exposição IV Mostra Artefacto Bosch/São Paulo Design de Interiores do ES

2002 – Exposição coletiva Galeria do Centro De ArtesUFES

1990 – Exposição Coletiva S.O.S. – UFES/Espaço Universitário

1987 – Exposição Coletiva – Sala Bernadelli – Museu Nacional do Rio de Janeiro

Exposição Coletiva – Espaço Universitário – UFES

1986 – Exposição Coletiva Artistas Capixabas – Khroma Galeria de Arte, Vitória/ ES

1985 – Exposição Coletiva de XILOGRAVURA/História da Arte Brasileira)/UFES

Exposição Coletiva Artistas Capixabas – Fundação Álvaro Penteado/São Paulo

Exposição Coletiva – Desenho Capixaba – Caixa Econômica Federal/UFES

1984 – Exposição Coletiva Professores da Semana de Arte em Castelo/ES

Exposição de Artistas Capixabas – Semana Cultural de Alegre/ES

1980 – Exposição coletiva em comemoração ao 29º aniversário Centro de Artes/UFES

1977 -Exposição Coletiva Artistas Plásticos Capixabas Centro Artes Homero Mascena, Vitória/ES

1976 -Exposição Coletiva “I Mostra de Gravura de Artistas Locais” – Teatro Carlos Gomes /Vitória/ES

 

Obras Públicas

 

2020 – Escultura Monumento na Companhia Siderúrgica Tubarão – Serra/ES

2006 – Escultura Monumento na Companhia Siderúrgica Tubarão – Vitória/ES

2003 – Escultura símbolo – Feira Nacional do Meio Ambiente – Vitória/ES

2001- Escultura em Aço no município da Serra /ES

2000 – Escultura Pública – Concreto Armado – Vitória Apart Hospital Serra /ES

1999 – Escultura Pública em aço CA-50 – Monumento – Ipatinga/MG

1993 – Escultura “Monumento Comemorativo à Imigração Italiana no Estado”/PMV/ES

1991 – Busto do “Caboclo Bernardo” – Regência/ES

1987 – Escultura Monumento Universitário com 13 m de altura e 30 t de concreto

Escultura-Monumento em Ferro ESCELSA/Vitoria/ES

1986 – Escultura Painel em concreto de 9 m2 – Chocolates Garoto – Vila Velha/ES

Troféus – “I Festival Nacional de Música da Caixa Econômica Federal/ES

1985 – Escultura em ferro – Pe. José de Anchieta /Secretaria Estadual de Educação/ES

Restauração das Esculturas – Teatro Carlos Gomes – Vitória/ES

1984 – Troféu do Campeonato Nacional de Windsurf – Vitória/ES

1979 – Restauração dos Motivos Escultórios da Escola Normal Pedro II – Vitória/ES

1977 – Logotipo da “Fundação Ceciliano Abel de Almeida” – UFES

1976 – Troféu do “I Festival Estudantil de Música”/Colégio Salesiano/ Vitória/ES

 

Experiência Acadêmica

 

2008 – Professor Adjunto IV – Disciplina Escultura – Centro de Artes – UFES

1996 – Diretor do Centro de Artes

1995 – Diretor do Centro de Artes

Coordenador do VII Festival de Verão – Nova Almeida/ES

Coordenador da XXI Semana de Arte em Nova Venécia/ES

1994 – Diretor do Centro de Artes

Coordenador do VI Festival de Verão – Nova Almeida/ES

Coordenador da XX Semana de Arte em São Mateus/ES

1993 – Diretor do Centro de Artes

Coordenador do V Festival de Verão – Nova Almeida

Coordenador da XIX Semana de Arte em São Mateus/ES

1992 – Vice-Diretor do Centro de Artes/UFES

Coordenador Geral do IV Festival de Verão/Janeiro/92

Diretor do Centro de Artes – julho/92

Coordenador Geral da XVIII Semana de Arte em Castelo/ES

Palestrante do Iº Forum Nacional de Cultura em Brasília/DF

1991 – Vice-Diretor do Centro de Artes/UFES

Coordenador Geral do III Festival de Verão – Vitória/ES

Coordenador do Ciclo de Palestras e Debates no Centro de Artes/UFES: GÊNESES E SUPERAÇÕES DA ARTE MODERNA – Prof. Carlos Scarinci – FORMAÇÃO E PRODUÇÃO DE ARTES – Artista Plástico José de Moura Resende Filho

Coordenador Geral da XVII Semana de Arte em Castelo-ES

1990 – Vice-Diretor do Centro de Artes/UFES

Coordenador Geral do II Festival de Verão

Coordenador Geral da XVI Semana de Arte/Viana

Criação e execução do Monumento em ferro de 7 m de altura, comemorativo ao centenário da imigração italiana no município de CASTELO/ES

1989 – Vice-Diretor do Centro de Artes/UFES

Criador e Coordenador Geral do I Festival de Verão da UFES

Coordenador Geral da XV Semana de Arte/Santa Tereza

1988 – Orientação Projeto Esculturas Externas – alunos de Escultura/Oficina

Sub-Chefe do Departamento de Formação Artística

Eleito Vice-Diretor do Centro de Artes/UFES

1987 – Professor na Semana de Arte em Aracruz/ES

Sub-Chefe do Departamento de Formação Artística

1986 – Orientação do Projeto de Escultura Externa – “Escultura Oficina”

Coordenação da Exposição Coletiva no Espaço Universitário: Alunos do CAR – Novos Valores do CAR

Professor na Semana de Arte em Aracruz/ES

Projeto Pesquisa – Método não convencional de concreto armado

1985 – Professor na Semana de Arte em Aracruz

Projeto Pesquisa – Método não convencional de concreto armado

1983 – Chefe do Departamento de Formação Artística do Centro de Artes – UFES

Projeto de Pesquisa (processo não convencional de concretagem) Monumento Universitário – UFES

1982 – Chefe do Departamento de Formação Artística do Centro de Artes – UFES

I Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Vitória

Premiação do I Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Vitória

Professor na Semana de Arte de Alegre/ES

1981 – Chefe do Departamento de Formação Artística do Centro de Artes da UFES

Professor na Semana de Arte Alegre/ES

1980 – Professor na Semana de Arte de Santa Tereza

1979 – Participação no Curso de Arte Brasileira Moderna e Contemporânea – UFES/FUNARTE

Participação no Seminário de Educação Artística- Centro de Artes – UFES

Ministrou cursos de Serigrafia na Galeria de Arte e Pesquisa da UFES

Professor na Semana de Arte de Santa Tereza/ES

1978 – Professor na Semana de Arte de São Mateus

1977 – Ministrou curso de Modelagem na UFES

Professor na Semana de Arte de São Mateus

1976 – Ingresso como docente no Centro de Artes da UFES

Professor na Semana de Arte de São Mateus


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